domingo, 22 de abril de 2012

Prédio de luxo se transforma em "elefante branco"

Folha de São Paulo - 22/04/2012

NATÁLIA ZONTA
DE SÃO PAULO 

Corretores de imóveis já o apelidaram de "elefante branco". E até mesmo a construtora que o ergueu, a Adolpho Lindenberg, admite o fiasco: o que era para ser um empreendimento disputado por famílias classe AAA encalhou. Foram poucos os que escolheram viver no prédio do Morumbi, que abriga os maiores apartamentos da cidade, com 1.223 m² cada um.

Localizado em uma das regiões mais nobres do bairro da zona oeste --próximo à casa de Silvio Santos--, o edifício Adolpho Carlos Lindenberg foi lançado em 2006 e entregue em 2009. Possui 12 apartamentos, cada um com seis suítes e 12 vagas na garagem.

Rogério Canella/Folhapress
Passados quase três anos, sete unidades foram vendidas, o que a própria construtora considera um resultado abaixo de qualquer expectativa. A falta de compradores ainda causa um prejuízo extra, já que a empresa paga a taxa de condomínio dos imóveis vazios, cujo valor não revela.

O resultado motivou a companhia a diminuir os investimentos no Morumbi. "Hoje em dia, o bairro sofre muito com o trânsito e isso pesa. As pessoas valorizam mais os bairros do outro lado do rio [Pinheiros].

É difícil comercializar nessa região", afirma Adolpho Lindenberg Filho, diretor da construtora. Segundo ele, o metro quadrado da área tende a custar 20% menos do que em outros bairros disputados pelo mercado imobiliário, como o Alto da Lapa, na zona oeste. "Hoje, procuramos terrenos na Vila Mariana, no Tatuapé e na Aclimação", diz.

Cada unidade do empreendimento --que, segundo o diretor, foi comercializada na planta por cerca de R$ 6 milhões-- hoje é vendida por cerca de R$ 10,4 milhões. "Não diria que valorizou, apenas sofreu uma correção. Não acompanhou o que ocorreu no restante da cidade."

Para ele, o perfil do bairro mudou ao longo dos anos. "O Morumbi se transformou. Na parte conhecida como Cidade Jardim, há casas muito boas, mas a segurança é complicada."

Quem tem como missão comercializar as unidades encalhadas reclama. Uma corretora que pediu para não ser identificada afirma que atualmente quase não existe procura pelos apartamentos. "Houve uma época em que muitos curiosos nos ligavam. Agora, nem isso. Os interessados de porte compraram no lançamento", diz.

domingo, 1 de abril de 2012

Consumismo eleva endividamento

Maria Inês Dolci
Cresceu o número de endividados em São Paulo ( 52,2%) em março, aponta pesquisa da FecomércioSP. O cartão de crédito continua como o principal meio utilizado para adquirir essas dívidas : 67,5% dos paulistanos estão devendo devido às compras pagas dessa maneira. É um absurdo que os consumidores se endividem com o cartão, que tem os maiores juros do mercado. Há outras formas de crédito com condições mais favoráveis.A participação dos carnês também aumentou de 18,6% para 28,2%.São pessoas que no afã de aproveitar as ofertas gastam mais do que o orçamento comporta.